Sem categoria
Agentes de transformação
Agentes de transformação
Falar sobre como a Transformação Digital é importante é algo natural. Seus impactos na sociedade são tão fortes, que falar sobre o assunto é uma oportunidade. Já são dados tantos nomes para ela, que tem sido complexo definir o que realmente é a Transformação Digital.
Muitos defendem que só a sua própria solução é a correta, que só a sua metodologia e o seu modelo de gestão são corretos e não conseguem perceber que cada escolha tem a sua aplicação. Não existe uma “bala mágica”. Não existe uma fórmula mágica, matemática, exata. O que existem são regras básicas e a principal é: entenda o meio.
Reza a lenda, que uma pessoa muda pelo amor ou pela dor. Quando o assunto é a Transformação Digital, o cenário não é diferente. Mas, quais são os agentes de transformação?
Vamos começar falando do mercado. Para entendê-lo, é preciso responder a questões simples, mas fundamentais. Quais demandas estão em alta? Quais as principais necessidades atuais? Quais são as mudanças nos hábitos de consumo?
Quando se pensa em mercado e Transformação Digital, é automática a ligação com o mercado de compras online, que, restringia-se à venda de livros, CD´s e DVD´s e, hoje, antes mesmo da pandemia, se expandiu tanto, que até compras cotidianas, como pedir um pé de alface do mercadinho do bairro já é possível com meia dúzia de toques no celular.
O mercado de consumo mudou tanto que, atualmente, muitas pessoas só compram sapatos, roupas, equipamentos e até carros pela internet. No mínimo, utilizam o universo digital para pesquisar sobre o produto. Você conhece alguém que ainda usa os classificados do jornal impresso?
Se falamos em atendimento digitalizado, falamos em Transformação Digital. Por isso, é preciso tirar a TI daquela sala fechada e levá-la até as pessoas. Esse é o segredo do sucesso das grandes redes: a estratégia de TI é estratégia de negócios.
A demanda de mercado não é só agente de mudança, mas também consequência do principal agente de mudança: as pessoas.
Dentro da mesma geração, temos comportamentos bem diferenciados. No primeiro grupo, essa adaptação aos novos modelos é mais fácil ou nem é necessária. Esse grupo traz na bagagem o que foi aprendido nas décadas de 1990/2000, quando começaram os mIRC´s, os ICQ´s, os chats do UOL. As pessoas desse grupo foram crescendo, se desenvolvendo, conseguindo sua independência financeira, trazendo esse conhecimento prévio e promovendo um caminhar fluido ou uma fácil adaptação às novas tecnologias.
Na outra ponta, em um outro grupo, temos as pessoas que nutrem uma resistência à Transformação Digital. Ficaram, de alguma forma, inertes. Se mantiveram afastadas dela e aqui não fazemos juízo de valor do porquê isso aconteceu, mas não podemos negar a existência desse fato. Esse grupo passou a temer a mudança, a transformação. Na verdade, como defesa, querem continuar da mesma forma como agiam há 20, 30 anos. Talvez por isso a Transformação Digital seja vista como um grande problema ou ameaça, principalmente, em órgãos públicos, nos quais a burocracia e também a condição na qual, muitas vezes, os funcionários se encontram, fazendo repetidamente a mesma coisa ao longo de anos, prejudicam a adesão à mudança. A educação digital está intimamente ligada a isso.
O quanto os governos podem facilitar ou dificultar a Transformação Digital? Qual a responsabilidade dos governos no processo? Em quais setores o governo pode agir? Com quais influências? O público e o privado são setores de um mesmo macrossistema. Precisam ser integráveis e se completarem. Aqui temos, então, o terceiro agente: a sociedade, ou seja, a iniciativa privada e os poderes públicos e todas as formas organizacionais do meio que vivemos, incluindo a cultura.
A Transformação Digital só é um problema para quem a teme ou a ignora. Isso é tão verdade que a maioria dos governos começou a realizar sua Transformação Digital pelos setores de arrecadação. Por que a Receita Federal, hoje, é um dos órgãos mais digitalizados? Por que, há anos, a declaração do imposto de renda é informatizada? Por quê? Porque a digitalização do processo otimiza e aumenta a arrecadação de renda, já que permite um maior cruzamento de dados e maior agilidade ao processamento das informações.
Mesmo que nem todas as áreas estejam mudando à mesma velocidade, todas as pessoas já foram impactadas pela Transformação Digital de alguma forma.
Até agora neste texto, de forma resumida, falamos de três agentes da Transformação Digital. Mas não são só eles e nem fazem parte “primeiro escalão” dos “grandes autores” ou “do conceito propagado” da Transformação Digital. A seguir, temos os três mais “famosos” ou mais “falados”…
O primeiro é a tecnologia, mola propulsora. À medida em que se desenvolve e que novas ferramentas são criadas, as possibilidades de mercado também sofrem um incremento e facilitam a adesão dos usuários.
O segundo é o surgimento da jornada não linear, que acaba com a limitação da aquisição de produtos e serviços apenas em horários comerciais e com a necessidade de grandes estoques físicos centralizados, por exemplo.
O terceiro são os novos modelos de negócio, chamados de digital first, que trazem a necessidade de criação de uma nova cultura corporativa, uma cultura digital mais flexível, que permite uma maior agilidade não só na solução de problemas ou crises, mas também na antecipação das tendências de mercado. Para tanto, é preciso uma equipe mais colaborativa e funcionários com perfis interativos, que possam intercambiar conhecimentos e experiências com várias áreas da corporação.
Agora, comparando os três primeiros – podemos chamá-los de propostos – com os três “famosos”, podemos ver grandes semelhanças e gotas de tintas brancas em piso vermelho. Vamos às tintas brancas em piso vermelho:
1-Quem nasceu primeiro: o ovo ou a galinha? Essa pergunta também pode ser aplicada à dúvida: o mercado e as pessoas geram as demandas de novas tecnologias ou as novas tecnologias geram possibilidade de novos mercados? Ou de fato são agentes que se retroalimentam e essa relação se torna a verdadeira mola propulsora?
2-O que não deixa dúvidas é que a tecnologia gerou as ferramentas para a jornada de consumo não linear. As gotas de tinta aqui são: se a demanda e a necessidade das pessoas não existissem, as ferramentas seriam usadas mesmo depois de criadas pela tecnologia?
3-Esse sim é um ponto comum nos grupos e também uma das gotas de tinta. É comum porque é a consequência natural da regra básica “entender o meio” e é a tinta porque rompe com os padrões das organizações e culturas de modelos. Depois de se entender o meio e ter conhecimento das ações necessárias para as transformações, não realizá-las é um verdadeiro tiro no pé, pois as mudanças fatalmente acontecerão e, quem não se adaptar, estará automaticamente fora do jogo.
E qual a maior barreira para Transformação Digital?
O maior inibidor dos novos modelos de negócio é o dia a dia. A inércia da rotina destrói a criatividade e mantém a “órbita do sempre foi assim e sempre funcionou”. Por isso, manter as relações do “mundo externo” com sua rotina, observadas da posição de aprendiz e jamais da “poltrona do conforto”, é uma forma de suavizar as transformações. Quando elas são realizadas aos poucos, sua percepção é mais natural e o tempo de maturidade é melhor aproveitado. Isso suaviza os limites e favorece as tomadas de decisões rápidas e integradas.
Inovar a qualquer custo é um suicídio estratégico, mas ficar sem inovar é a certeza da morte. O que estou dizendo é que: se deixar passar o tempo da mudança, ela será ainda mais “cara” e se mudar antes da hora, a mudança não terá valor.
Fábio Araújo
Fundador da Iniciativa Atlas
Especialista em gestão de projetos, tecnologia e inovação. Já liderou iniciativas em grandes instituições como gestor ou professor e hoje atua à frente da Iniciativa Atlas, criando soluções que conectam estratégia, tecnologia e resultados reais para escolas e empresas.
Tecnologia que entende de escola.
Conheça o Atlas ERP — do acadêmico ao financeiro, com a família por perto.
Solicite uma demonstração