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Transforme(se) Educação
Transforme(se) Educação
Uma coisa que a pandemia nos mostrou, e que não dá mais para negar, é que nós vamos ter que nos transformar. Este é um caminho sem volta. Mas ainda há muitas dúvidas sobre como inserir a informática na educação das crianças, principalmente, das mais novas. Apesar de ainda estarmos tateando nessa seara e aprendendo enquanto o mundo está mudando, é preciso ter em mente que a tecnologia pode ser amiga e aliada da educação. As escolas não devem temer as novas tecnologias.
Para os jovens de ensino médio, a inserção da tecnologia na educação é mais fácil e já estava em andamento. Nas escolas de ensino infantil e fundamental, os professores estão passando por um momento de se reinventar e isso só vai acelerar nos próximos anos. A pandemia e suas aulas on-line nos mostrou que, nós professores, ainda somos seres analógicos.
Analisando como isso funciona, vi que o desafio de entender a educação nesse momento de pandemia é muito mais da condição dos professores (e aqui a intensão é provocar) do que das próprias crianças, porque elas estão totalmente integradas, digitalizadas. Nós, adultos, é que estamos um pouquinho atrás. Olhem que interessante: esse medo de levar a tecnologia até as crianças, sendo que elas vão precisar estar integradas a esse novo mundo para se encaixar no futuro.
Segundo pesquisas realizadas pela McKinsey Global Institute Workforce Skils Model, até 2030, as habilidades físicas e manuais serão 14% menos demandadas, enquanto as capacidades básicas cognitivas vão ter uma diminuição de demanda de 11%. Em contrapartida, as habilidades cognitivas mais avançadas terão acréscimo de 9%, as habilidades sócio e emocionais, aumento de 26% e as habilidades tecnológicas chegarão a mais 60% de necessidade.
Analisando esses dados, notamos que temos algumas grandes oportunidades e a principal é a criação de uma escola alinhada ao nosso tempo, que tenha o aluno como protagonista e o professor como diretor da produção com a grande capacidade de condução. Esse alinhamento trás aprendizagem significativa e desenvolve competência e habilidades compatíveis com os requisitos e os desafios da sociedade contemporânea.
Mas não só os alunos precisarão se adaptar, os professores e a direção das escolas também terão que desenvolver novas habilidades no futuro e há inúmeras ferramentas que ajudam nessa transformação digital. Para alunos e professores, há, por exemplo, o MakeCode, que é uma ferramenta que explora a ciência, engenharia e programação, oferecendo projetos divertidos com resultados imediatos e ferramentas para estudantes e professores de todos os níveis. Outra ferramenta é o Minicraft Education Edition, que oferece inúmeras oportunidades para a exploração narrativa, programação, aprendizagem digital, matemática e a realidade mista. Já para professores, escolas e família, o o app Agenda da Madu, por exemplo, cujo foco é a comunicação escolar entre escolas e família, integrando os três pilares da educação, que sustentam o protagonismo do aluno e sua caminhada de aprendizagem e crescimento.
Pensando nessa necessidade de habilidades técnicas do mundo digital, segundo a Burning Glass Technogies, até 2030, haverá 50 milhões de vagas técnicas de trabalho. Já o The Future Laboratory revelou que 65% dos alunos que estão sendo formados hoje irão trabalhar em empregos que ainda não existem. Uma terceira pesquisa, realizada pela Burning Glass Technogies, Crunched by the Numbers, The Digital Skills Gap in the Workforce, mostra que a taxa de crescimento de empregos para habilidades de média intensidade digital é 2,5 maior do que as vagas tradicionais.
Outro fato relevante é que, segundo o Linkedin, as 15 profissões emergentes no Brasil em 2020, 47% são ligadas diretamente à tecnologia, 33% usam tecnologia o tempo todo e 20% usam tecnologia pelo menos uma vez por dia.
E qual a importância do pensamento computacional nesse processo? Devemos começar hoje com o conceito, talvez, mais antigo da humanidade. Então melhor seria dizer, retomar o conceito: aprender a aprender. E, como diria Alvin Toffler, antes devemos desaprender, o que é muito mais difícil para os adultos. Para as crianças, esse processo é muito mais fácil, elas se adaptam rapidamente.
A educação básica deve não só proporcionar à criança decodificar a natureza, através do conhecimento científico. A criança, através do conhecimento científico e da realidade, deve ser preparada para decodificar a experiência dela para codificar novas soluções. E isso nada mais é que o pensamento criativo!
Inserir a tecnologia na educação infantil não é ensinar programação para as crianças, precisamos pensar que tecnologia faz parte do cotidiano. Uma simples receita de bolo, por exemplo, é inserir um passo a passo na prática. É um algoritmo com o qual conseguimos explicar determinada coisa às crianças, aplicando conceitos totalmente compreensíveis por elas. Isso dá a elas a visão humana dos algoritmos. Dessa codificação que estou dizendo. Além da necessidade clara de separar e ensinar o que o algoritmo puramente computacional não lhe dará: a empatia, o cheiro da massa assando, o tato ao misturar, a farinha espalhada e a responsabilidade de limpar tudo depois.
E sabe o que eu percebo muitas vezes quando se fala em tecnologia? As pessoas ainda confundem isso com redes sociais. E o que aplicamos e vivemos no dia a dia da Agenda da Madu é justamente o uso da tecnologia para humanizar as relações, a educação e não para desumanizar ou torná-las frias ou, ainda, separar as pessoas. Buscamos criar um ambiente interativo, compartilhado nas relações escolares, compassivo e solidário com o que a tecnologia pode trazer de melhor.
Uma prova disso? Hoje a tecnologia está na sua mão e não na sala dos antigos astronautas. Temos que ter cuidado com os excessos sim e o pensamento computacional pode nos tendenciar a pensar tudo na base do zero ou um. Esse não é o caminho. Para entender melhor, podemos usar outra lógica mais apurada, como a lógica difusa ou lógica fuzzy. Isso quer dizer que entre Verdadeiro e falso existem outros valores, ou seja, as coisas podem não ser 100% verdadeiras ou falsas.
Venho dizendo cada vez mais que a vida pessoal e a vida profissional voltaram a se misturar. Voltaram porque já foram misturadas nas caçadas, na agricultura, por exemplo. Não dá para separar os seres do trabalho e o pessoal. Então, pensando no ser integral, devemos pensar sim em tecnologia como ferramenta dos nossos dias e aproveitar o máximo dela.
Assim as escolas não querem contratar somente bons profissionais de pedagogia. Querem confiar nessas pessoas e em seus comportamentos. Saber que a formação é de um ser integral. As empresas de maneira geral não contratam apenas pelas competências técnicas e gerenciais. Contratam pessoas que sabem se comunicar, que sabem trabalhar em grupo, que fortalecem o grupo e sigam o caminho do grupo. Então, dentro dessa linha, temos que ter profissionais que saibam fazer e também saibam se comportar.
Contratação e demissão, mas o que isso tem a ver com educação? Tem tudo a ver! É através de metodologias de ensino ativas em sala de aula – e aqui falamos de todo tipo de sala de aula, digital ou analógica – onde o relacionamento é ensinado a todo momento, desde o velho trabalho em grupo ao já presente teletrabalho. Nós educadores, devemos estar preparados para preparar os novos seres humanos para a vida. E isso que hoje vivemos (pandemia e aulas online), fará parte da vida deles. A maturidade é nossa e assim como nossos avós ensinaram em tempos de guerras, devemos ser capazes de ensinar online. Então as escolas e nós temos que nos transformar sim. Mas não porque está na moda ou porque é legal dizer, mas porque isso é necessário! É nesse mundo que vivemos!
A tecnologia também vai estar cada vez mais presente na gestão das escolas, como o uso dos dados, informações de evasão, engajamento dos pais. Quais os motivos que levam um aluno a entrar na escola e por qual motivo ele sai?
A escolha dos canais corretos de comunicação entre escola e família e a boa utilização desses dados pode fazer uma instituição sair na frente, ainda mais num mundo empresarial tão competitivo quanto o atual. Tudo vai depender do nível de digitalização dos processos escolares e do uso que a escola faz dos dados disponíveis. Da administração ao ensino, da estratégia ao operacional. E sobre níveis de digitalização falamos de sistemas de ensino, sistemas de gestão escolar, aulas online, sistema de comunicação estratégica. O mundo mudou e as ferramentas para se adequar a ele estão aí, basta utilizá-las da melhor maneira. Se todos sistemas emitem boletos, faz-se interessanteo uso de um app como a Agenda da Madu para que seja possível levar esse boleto até os pais, garantindo que eles o recebam e ainda emitam lembretes de datas.
Fábio Araújo
Fundador da Iniciativa Atlas
Especialista em gestão de projetos, tecnologia e inovação. Já liderou iniciativas em grandes instituições como gestor ou professor e hoje atua à frente da Iniciativa Atlas, criando soluções que conectam estratégia, tecnologia e resultados reais para escolas e empresas.
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